|
Para
mostrar a grande pureza da raça, recordamos que pinturas na
Gruta de Lascaux (França), foram descobertas e ainda hoje
são observadas por muitas pessoas de todo o mundo.
Essas
pinturas, datadas de 7000 anos atras mostram animais incluindo
cavalos, aves, humanos, etc., e uma raça bovina de cor marrom
avermelhada, com chifres claros e pontiagudos, boca larga
e musculatura abundante, denotando a impressionante semelhança
com o gado Limousin atual.
Originário
da Zona Centro Sul da França, onde imperam pradarias pobres
e desmineralizadas, montes pedregosos, verão com temperatura
acima de 30ºC e inverno com nevascas atingindo até 1 metro
de altura, onde a temperatura atinge -15ºC, mostram o meio
exigente onde o gado Limousin foi selecionado.
A
grande massa muscular e o alto rendimento de carcaça que a
raça oferece, vale-se do ato que até a metade deste século,
os animais eram utilizados para tração, com os agricultores,
selecionando de forma quase natural os animais de porte avantajado,
esqueleto resistente e musculatura abundante, para poder tracionar
grandes volumes e trabalhar a terra.
Alguns
podem então interrogar:
Como a raça está aparecendo somente agora no mercado pecuário?
Será que é uma raça da moda?
É lógico que toda raça Européia que chega ao Brasil, traz
consigo esta preocupação. Entretanto, afirmamos com muita
tranqüilidade, que o Limousin veio para ficar, está crescendo
rapidamente por suas virtudes, e quem duvidar que é uma das
melhores raças para o cruzamento industrial, podemos apenas
dizer que é por que ainda não utilizou no cruzamento o Limousin.
O
Limousin é uma raça diferenciada. Dizemos isto com absoluta
certeza, pois estamos acompanhando o crescimento mundial da
raça. Na França, país de origem, apresenta hoje 700.000 vacas
em reprodução. Nos Estados Unidos, a raça foi introduzida
em 1.964, e hoje ocupa 20% da fatia de todos os nascimentos
por inseminação, superada apenas pelo Aberdeen Angus. No Canadá
210.000 vacas são inseminadas com o Limousin, alcançando 18%
de toda IA neste país. É encontrado em 65 países de todos
os continentes, com crescimento ascendente, devido à sua forte
adaptação, rusticidade, fertilidade e partos fáceis, conquistando
e permanecendo nos países pela sua eficiência.
NO
BRASIL
Consta
que foi um engenheiro francês, a serviço do imperador D.Pedro
II, o introdutor da raça no Brasil, através de um tourinho
que trouxera da França para presentear um fazendeiro de Ouro
Preto(MG), seu amigo - isso lá por 1850. Cento e vinte e oito
anos depois, um empresário francês adquire uma fazenda no
Triângulo Mineiro, funda a Agropecuária Limousin e importa
56 animais puros, com vistas, já, ao cruzamento industrial,
com raças zebuínas. Após um ano de bons resultados, o governo
do Rio Grande do Norte encampou o programa, importando cem
animais puros para implantação de estações de monta pelo interior
do Estado.
Tendo
outros afazeres, o primeiro importador, Mr. Barcy, deixou
o plantel sob a guarda de gerentes que, por desconhecimento
do manejo da raça, acabaram por abandonar os animais nos pastos.
Mas a resistência do Limousin e sua rusticidade, garantiram
a sobrevivência - tanto em Minas quanto no Rio Grande do Norte,
onde foram espalhados sem critério pelas fazendas. Mas uma
vez, em clima diferente, o Limousin provou sua grande adaptabilidade.
A
família Meneghel, que já utilizava a Raça Limousin, pela inseminação
artificial no cruzamento industrial com as vacas nelore desde
o início da década de 70, elegendo-a para melhoria do plantel,
decidiram a partir dos ótimos resultados, investirem também
na Raça pura e adquiriram alguns remanescentes (12 fêmeas
e 04 machos) do Rio Grande do Norte em Leilão no ano de 1984
juntamente com o criador Samir Tannus. Em 1985, no 2º Leilão
adquiriu 22 animais, cedendo quatro deles ao Sr. Arnaldo Mendes
de Oliveira Filho, que a partir daí iniciava também seu plantel.
No último Leilão em 1986, em liquidação total do plantel,
foi adquirido por Amilcar Farid Yamin, Rui Drumond e Serafim
Meneghel. O Rebanho total de Ponta Grossa foi adquirido por
Antonio Evilázio Reis e Carlos Menarim. Na mesma data, família
Drummond de Ituiutaba-MG, que vinham observando o desempenho
dos animais da Agropecuária Limousin, resolveram adquirir
alguns animais desta propriedade bem como do Rio Grande do
Norte.
A
Fazenda Santo Izidoro, pertencente ao grupo Bongrain, gerenciada
por Kleber Coher, adquiriu do Sr. Barcy da Agropecuária Limousin
o restante do plantel, levando os animais para Angatuba (SP).
Com
a base do rebanho agora na mão de grandes empresários, com
pensamento no futuro e na produtividade e lucro do rebanho,
iniciou-se então a grande jornada da Raça Limousin.
Em
1989, estes criadores iniciaram suas exposições em conjunto
na cidade de Londrina, em um Pavilhão escondido do parque
de Exposições Governador Ney Braga, onde outros criadores
chegaram a dizer "onde é que eles querem chegar com isso".
Ainda
em 1989, na 1ª Expo Nacional de Cruzamento Industrial, promovida
pela ABCZ, Uberaba (MG), várias raças disputavam o título
de rendimento de carcaça, mas como nos concursos de Paris,
deu Limousin em 1º lugar, tanto para macho como para fêmea.
Em
1990 e 1992, novamente o Limousin conquistou os títulos, agora
de 1º, 2º e 3º prêmio em relação a rendimento de carcaça.
Ainda
em abril ‘1989, Luiz Meneghel Neto e Arnaldo Mendes de Oliveira
Filho, convidaram alguns criadores a formar a Associação Promocional
da Raça Limousin, sendo ainda os registros feitos pela Herd
Book Collares em Pelotas (RS).
Em
1991, com a evolução do número de criadores na "Promocional",
foi conquistada através do Ministério da Agricultura o Livro
de Registro, passando então a ser chamada: Associação Brasileira
dos Criadores de Limousin.
Hoje,
aqueles criadores que estavam escondidos no pavilhão, conquistaram
espaços que muitos nem imaginavam alcançar.
CRUZAMENTO
INDUSTRIAL
Os
três principais criadores brasileiros estabeleceram as bases,
agora em termos empresariais, para o programa de cruzamento
industrial com Limousin e Zebú, uma vez que o gado francês
possui as melhores características para o melhoramento genético,
abreviando em mais de um ano o período de abate e com aumento
de até 15% no rendimento de carcaça.
Em
1989, Luiz Meneghel Neto convida os criadores brasileiros
de Limousin para formação da Associação Brasileira dos Criadores
de Limousin , com sede em Londrina (PR), no Parque de Exposições
Ney Braga. No mesmo ano, a ABCZ realizou a I Exposição de
Cruzamento Industrial, em Uberaba (MG), onde o Limousin conquistou
o primeiro lugar entre machos e fêmeas, pelo excepcional rendimento
de carcaça. O mesmo sucesso foi conseguido em 1990, quando
o Limousin conquistou os primeiro, segundo e terceiro lugares
na modalidade de rendimento de carcaça, garantindo um ótimo
resultado econômico para seus criadores.
MAIS
CARNE POR PESO VIVO
Com
suas carcaças compactas, conformação ideal, ossatura fina,
pouca gordura e alto rendimento de carne, os animais da raça
Limousin conquistaram o reconhecimento mundial, fazendo dela
uma raça especial e particularmente bem adaptada à produção
de carne macia e de alta qualidade.
As
qualidades da raça foram avaliadas pela pesquisa agronômica,
da França, e pelo Instituto Técnico de Criação Bovina - ITEB,
além de outras instituições em vários países.
O
potencial de crescimento muscular (620g/dia) está entre os
melhores na comparação com diversas raças, o mesmo valendo
para o setor de ganho de peso , no qual o Limousin registrou
1.200 a 1.350g/dia na média para os bezerros. Dos 9 aos 16
meses o rendimento dos bezerros, carcaça quente em relação
ao peso vivo vazio, é superior a 70% e o rendimento muscular
em relação ao peso da carcaça alcança 84%.
Dentro
das mesmas condições experimentadas por 100 Kg de peso vivo,
o bezerro Limousin fornece 53 Kg de carne - 4 a 7 Kg a mais
que outras raças de grande porte. A repartição da carne comercializável
do Limousin é mais rentável , com maior porcentagem de carnes
nobres, principalmente nos quartos traseiros e na linha de
dorso. O valor da carne do Limousin é reconhecido desde longa
data pelos comerciantes europeus, que pagam até 10% a mais
por quilo do animal ou pelo resultado de seus cruzamentos
industriais.
|